Ah, respiro aliviada! Livre de toda aquela coisa horrível que estava grudada em cada poro de meu corpo, em cada espaço do meu coração. Tempestade foi-se de vez, abrindo lugar para um céu maravilhosamente límpido e azul. Espero que dure... Acho que gritar e chorar faz um bem danado no final, pois expulsa tudo que há de ruim no corpo e na alma. Vivo dias mais tranquilos, mais seguros e felizes. Esperançosa e determinada, como gosto de estar. Porque vivemos de tempestades e calmarias. E esse é meu período de calmaria, enfim.
_ " ... estava insensível às coisas do mundo. "
Minha personagem ao contrário, vive sua fase de tormenta. Final eu diria. A tempestade que não vai embora nunca, o momento em que se desiste de lutar, respira-se fundo e não se sente mais nada. Que será dela?
Mil Horas
* Parte 3 *
Não tomou seu café da manhã. Seu estômago não sentia fome e estava um pouco enjoado. Tinha que sair rápido, pois já estava atrasada para pegar seu ônibus. Mas não se importava... Um ônibus a mais ou a menos, dez ou quinze minutos de atraso não fariam diferença. Aliás, nada parecia fazer diferença aquele dia... O trânsito não a irritou, pois estava insensível às coisas do mundo.
Ao pegar o elevador e apertar o botão do décimo andar, lembrou-se que odiava seu emprego: as pessoas, o lugar apertado e barulhento, a quantidade enorme de tarefas e aquele chefe sempre mal humorado. Sua função não era má, mas todo o resto mal podia suportar. Talvez se só fosse enfiar a cabeça no trabalho... Mas tinha que conviver e a convivência era sempre problemática. Naquele dia mesmo, ouviria os comentários maldosos sobre sua aparência insone diretamente de sua “inimiga” de trabalho, sempre arrogante e prepotente. Também havia a bronca que levaria do chefe pelo atraso e como ouvir sua voz molenga e pastosa reclamando pelos malditos quinze minutos não bastasse, ainda receberia tarefas extras “pra ontem”, como ele gostava tanto de dizer e dar risada, como se aquela frasezinha inútil tivesse alguma graça. Só havia uma pessoa que considerava, sentava-se ao seu lado em uma mesa organizada e impecável. Era uma mulher com um coração bondoso e extremamente tranqüila.
A porta do elevador se abriu. Ela respirou fundo e entrou cabisbaixa, desejando que ninguém percebesse sua quase inexistência.
_ Quinze minutos de atraso, mocinha.
_ É, eu sei. Desculpa, o ônibus atrasou.
A bronca não se prolongou e ela agradeceu. Sentou-se pesadamente na cadeira e ligou o computador.
_ Bom dia!
_ Oi.
_ Que aconteceu?
_ Não dormi a noite.
_ Só isso mesmo? Quer conversar?
Ela sempre tinha essa atitude preocupada. Quantas vezes não a vira com aquele rosto pálido triste e não se sentara com um sorriso pra ouvir-lhe as reclamações? Mas não, ela não queria conversar, explicar os olhos inchados, simplesmente queria deixar tudo trancado no apartamento junto com a toalha e o xampu.
Ao pegar o elevador e apertar o botão do décimo andar, lembrou-se que odiava seu emprego: as pessoas, o lugar apertado e barulhento, a quantidade enorme de tarefas e aquele chefe sempre mal humorado. Sua função não era má, mas todo o resto mal podia suportar. Talvez se só fosse enfiar a cabeça no trabalho... Mas tinha que conviver e a convivência era sempre problemática. Naquele dia mesmo, ouviria os comentários maldosos sobre sua aparência insone diretamente de sua “inimiga” de trabalho, sempre arrogante e prepotente. Também havia a bronca que levaria do chefe pelo atraso e como ouvir sua voz molenga e pastosa reclamando pelos malditos quinze minutos não bastasse, ainda receberia tarefas extras “pra ontem”, como ele gostava tanto de dizer e dar risada, como se aquela frasezinha inútil tivesse alguma graça. Só havia uma pessoa que considerava, sentava-se ao seu lado em uma mesa organizada e impecável. Era uma mulher com um coração bondoso e extremamente tranqüila.
A porta do elevador se abriu. Ela respirou fundo e entrou cabisbaixa, desejando que ninguém percebesse sua quase inexistência.
_ Quinze minutos de atraso, mocinha.
_ É, eu sei. Desculpa, o ônibus atrasou.
A bronca não se prolongou e ela agradeceu. Sentou-se pesadamente na cadeira e ligou o computador.
_ Bom dia!
_ Oi.
_ Que aconteceu?
_ Não dormi a noite.
_ Só isso mesmo? Quer conversar?
Ela sempre tinha essa atitude preocupada. Quantas vezes não a vira com aquele rosto pálido triste e não se sentara com um sorriso pra ouvir-lhe as reclamações? Mas não, ela não queria conversar, explicar os olhos inchados, simplesmente queria deixar tudo trancado no apartamento junto com a toalha e o xampu.
Continua ...

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