_ "E há horário para tudo, comer, beber, dormir, trabalhar, dançar, cantar, amar, e até mesmo para sonhar! "
Uma história bem fofinha. Porque sonhar faz bem às vezes.
_Temos dois minutos.
Seus olhos fixos no relógio digital. Os segundos iam passando, ansiosos ou apreensivos? Só sabia que corriam, rápidos como os tempos modernos. E ela era uma filha orgulhosa dessa época, a vida e os sonhos acorrentados ao relógio e os olhos em busca dos números multicoloridos, tão atrativos, piscando para nos lembrar que a vida é cada vez mais curta, que envelhecemos cada vez mais e que simplesmente não temos controle sobre a situação. E como escapar se aqueles malignos estavam em todos os lugares? Nas paredes, nos computadores, nos passos apressados, nas cabeceiras e debaixo dos travesseiros, nos bolsos, na televisão, na voz incansável do locutor dos rádios, nos pulsos, nas praças, em vitrines e até nos sinos das igrejas. E há horário para tudo, comer, beber, dormir, trabalhar, dançar, cantar, amar, e até mesmo para sonhar! Só não sabemos a hora em que morreremos e estamos sempre esperando por ela, fingindo que podemos adiá-la...
_ Dez segundos, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois... um! Vamos?
Saíram do carro, e calmante atravessaram a rua que os levava até a estação de trem. Estava agitadíssima, pessoas enchiam de vida e movimento a grande e charmosa construção de tijolos vermelhos, tão antiga quanto aquela cidade. Pessoas andavam muito apressadas, algumas até corriam, cheias de todo o tipo de malas e mochilas. Diversas eram também aqueles que as carregavam, seus rostos tão ricos em expressões, algumas aflitas, um pouco de cansaço emoldurando os olhos de uns e uma alegria esperta nos olhos de outros. Uma distraída e tipicamente perdida jovem de cabelos muito curtos trombou com Ângela, que não pode fazer outra coisa a não ser rir da garota com um mapa prestes a cair do bolso do casaco desbotado que um dia fora... azul? Mas eles andavam tranqüilos, estavam no horário e era até bom observar toda aquela gente passando depressa por seus olhos. Quando mais jovem, ela podia perder uns minutos sentada apenas tentando adivinhar o destino de cada uma daquelas pessoas, até mesmo suas vidas. Algumas simplesmente passavam despercebidas com seus rostos impessoais, outras chegaram até mesmo a tirar seu sono.
Procuraram a plataforma onde ele deveria chegar e com a ajuda de um guarda gordo e de cabelo muito grisalho que escapava por baixo do boné, acharam sem maiores dificuldades. Porém, não havia trem algum por lá, apenas algumas pessoas com semblantes aborrecidos. Carlos aproximou-se de um senhor.
_ Que há, amigo? O trem não deveria ter chegado?
_ Pois é, veja que atrasou! Estou esperando pela minha insuportável tia avó há um tempinho já e agora mais essa! O trem teve um problema, não me pergunte qual, por lá mesmo e vai demorar no mínimo uma hora! Não é um absurdo? Como se eu não tivesse mais nada para fazer da vida...
Virando as costas para os dois homens discretamente, Ângela riu baixinho enquanto fingia observar os trilhos vazios. Carlos sorriu para o homem que foi sentar-se em um dos bancos e o deixou, apromixando-se de Ângela, tocando seu braço de leve. Ela sem perguntar nada, começou a andar sem direção sendo seguida por Carlos, apenas esperando uma distância segura.
_ Que amigo mal humorado você foi arranjar, hein?_ Ângela ria agora mais abertamente, mais ainda checando por cima do ombro do amigo se o homem não os observava, contudo ele parecia muito mais interessado em uma jovem de vestido vermelho que passava pela plataforma. _ Tia avó?!
_ Ah, nem me fale! Tive medo de o homem começar a contar histórias sobre a velha! E sabe do pior?
_ Não?
_ Tenho certeza que alguém aqui, muito esperta, _ puxou-a pelo braço e o beliscou de leve _ deixaria esse pobre mortal lá, ouvindo como a maldosa tia avó do meu novo amigo nunca fazia biscoitos para ele!
_ Eu? Nunca! Sabe muito bem que é de minha natureza acompanhar meus amigos, mesmo aqueles que me beliscam _ ela agora revidada com um doído beliscão em seu abdome _ em todos os
_ Ei, sabia que isso doeu?
_ Ótimo. Era a intenção. Mas... para onde estamos indo, afinal?
Continua......
Ao som de ... Queen - Who Wants to Live Forever
Uma história bem fofinha. Porque sonhar faz bem às vezes.
Fora de Estação
Pt. 1
_Temos dois minutos.
Seus olhos fixos no relógio digital. Os segundos iam passando, ansiosos ou apreensivos? Só sabia que corriam, rápidos como os tempos modernos. E ela era uma filha orgulhosa dessa época, a vida e os sonhos acorrentados ao relógio e os olhos em busca dos números multicoloridos, tão atrativos, piscando para nos lembrar que a vida é cada vez mais curta, que envelhecemos cada vez mais e que simplesmente não temos controle sobre a situação. E como escapar se aqueles malignos estavam em todos os lugares? Nas paredes, nos computadores, nos passos apressados, nas cabeceiras e debaixo dos travesseiros, nos bolsos, na televisão, na voz incansável do locutor dos rádios, nos pulsos, nas praças, em vitrines e até nos sinos das igrejas. E há horário para tudo, comer, beber, dormir, trabalhar, dançar, cantar, amar, e até mesmo para sonhar! Só não sabemos a hora em que morreremos e estamos sempre esperando por ela, fingindo que podemos adiá-la...
_ Dez segundos, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois... um! Vamos?
Saíram do carro, e calmante atravessaram a rua que os levava até a estação de trem. Estava agitadíssima, pessoas enchiam de vida e movimento a grande e charmosa construção de tijolos vermelhos, tão antiga quanto aquela cidade. Pessoas andavam muito apressadas, algumas até corriam, cheias de todo o tipo de malas e mochilas. Diversas eram também aqueles que as carregavam, seus rostos tão ricos em expressões, algumas aflitas, um pouco de cansaço emoldurando os olhos de uns e uma alegria esperta nos olhos de outros. Uma distraída e tipicamente perdida jovem de cabelos muito curtos trombou com Ângela, que não pode fazer outra coisa a não ser rir da garota com um mapa prestes a cair do bolso do casaco desbotado que um dia fora... azul? Mas eles andavam tranqüilos, estavam no horário e era até bom observar toda aquela gente passando depressa por seus olhos. Quando mais jovem, ela podia perder uns minutos sentada apenas tentando adivinhar o destino de cada uma daquelas pessoas, até mesmo suas vidas. Algumas simplesmente passavam despercebidas com seus rostos impessoais, outras chegaram até mesmo a tirar seu sono.
Procuraram a plataforma onde ele deveria chegar e com a ajuda de um guarda gordo e de cabelo muito grisalho que escapava por baixo do boné, acharam sem maiores dificuldades. Porém, não havia trem algum por lá, apenas algumas pessoas com semblantes aborrecidos. Carlos aproximou-se de um senhor.
_ Que há, amigo? O trem não deveria ter chegado?
_ Pois é, veja que atrasou! Estou esperando pela minha insuportável tia avó há um tempinho já e agora mais essa! O trem teve um problema, não me pergunte qual, por lá mesmo e vai demorar no mínimo uma hora! Não é um absurdo? Como se eu não tivesse mais nada para fazer da vida...
Virando as costas para os dois homens discretamente, Ângela riu baixinho enquanto fingia observar os trilhos vazios. Carlos sorriu para o homem que foi sentar-se em um dos bancos e o deixou, apromixando-se de Ângela, tocando seu braço de leve. Ela sem perguntar nada, começou a andar sem direção sendo seguida por Carlos, apenas esperando uma distância segura.
_ Que amigo mal humorado você foi arranjar, hein?_ Ângela ria agora mais abertamente, mais ainda checando por cima do ombro do amigo se o homem não os observava, contudo ele parecia muito mais interessado em uma jovem de vestido vermelho que passava pela plataforma. _ Tia avó?!
_ Ah, nem me fale! Tive medo de o homem começar a contar histórias sobre a velha! E sabe do pior?
_ Não?
_ Tenho certeza que alguém aqui, muito esperta, _ puxou-a pelo braço e o beliscou de leve _ deixaria esse pobre mortal lá, ouvindo como a maldosa tia avó do meu novo amigo nunca fazia biscoitos para ele!
_ Eu? Nunca! Sabe muito bem que é de minha natureza acompanhar meus amigos, mesmo aqueles que me beliscam _ ela agora revidada com um doído beliscão em seu abdome _ em todos os
_ Ei, sabia que isso doeu?
_ Ótimo. Era a intenção. Mas... para onde estamos indo, afinal?
Continua......
Ao som de ... Queen - Who Wants to Live Forever

1 comentários:
Gostei do Blog.
:)
Interessante.!
Seguindo.
Postar um comentário