2.9.06

_ Um sábado de sol.

Meu último post foi a tanto tempo! Em alguns dias pensei em postar, a preguiça foi maior ou o tempo curto demais. A vida tem passado, mudado opiniões. Incrível como tem gente que literalmente fode com nossos conceitos e no lado totalmente oposto, tem gente que surpreende.

_ Decisões.

Uma época de decisões, muitas decisões. Queria ter uma bola de cristal para saber onde elas vão me levar ou talvez ler pensamentos... acho que não sou só eu que gostaria dessas coisas bem utéis. Será que existe decisão errada?

_Mais sagrado que o próprio rito, era a última bolacha.

É possível esquecer o amor? E a culpa? Ou apenas se acosuma com a presença de uma e a falta do outro?

Uma breve história de chá, biscoitos e remorso.
Final
A manhã seguinte amanheceu lá pelas duas horas da tarde para ela. A ressaca moral e física estava difícil de agüentar. Mas a culpa não fora dela ... fora das tequilas! Gostava do namorado, de verdade. Amor, aquela coisa bem de filme, mesmo. Casal bonito eles formavam. Agora era esquecer, afinal naquela tarde teriam chá com biscoitos. Sagrado rito do amor. Ele chegou com uma expressão de ressaca fabulosa. Parecia ter passado por uma noite péssima, vomitado até a alma. Falou pouco, parecia triste. Ela o vira assim apenas duas vezes: quando não passara no vestibular e quando perdera o emprego. Felizmente ele passou em uma faculdade melhor e hoje ganhava mais. Beberam e comeram, em silêncio pós-balada-noite-mal-dormida. Ela não conseguia sorrir para animá-lo e ele sequer tinha vontade de olhá-la. Então, o pacote de bolacha, era domingo de morango, jazia na mesa com apenas uma. Mais sagrado que o próprio rito, era a última bolacha. Na tentativa de vê-lo mais alegre, ela ofereceu a preciosa guloseima e ele, com o a expressão mais fechada que nunca, recusou.
_ Eu estava lá. Eu vi. Você me traiu.
As palavras dele pesavam com o chumbo, definitivas e irrevogáveis. As explicações dela pareciam algodão na ventania e de nada adiantaram. Ele não quis saber, era um erro e acabou. Imperdoável. Retirou-se para nunca mais voltar e o biscoito ficou lá, largado na mesa.
Muitas pessoas nunca mais comeriam chá com biscoitos. Mas ela não. Comeu biscoitos de, ora morango, ora chocolate, e tomou chá todas às tarde de domingo de sua vida. Pois o amava na época e continuo amando-o sempre. Soube de sua nova namorada, da outra e finalmente quando noivou e depois se casou. Ouviu dizer que o filho era lindo também. Ela se casou, teve filhos e uns netinhos lindos. Mas o domingo a tarde era só dela: chá e biscoitos. E ela nunca comia o último. Nunca.
Próximo post, conto novo. Vou ver se escrevo algo novo! Se eu arranjar tempo ...

29.7.06

_ Here we goooooo again!

Minhas aulas começam segunda. E eu vou estudar e vou passar naquela porcaria. Que dose de otimismo. O que certas coisas não fazem pela gente!


_ ela amava os de chocolate e ele, os de morango.

O hábito. O amor. Quantas coisas chatas fazemos com que amamos... e elas se tornam doces, preciosas! Ou um pé no saco

Uma breve história de chá, biscoitos e remorso
Pt.1
Ela era um serzinho contagiante. Não que fosse linda, mas também não era feia. O que marcava mesmo era sua alegria ingênua e praticamente explosiva com que convivia com as pessoas. Seu sorriso era espontâneo e irresistível, não que fosse perfeito. Esteticamente pobre, era dono de segredos mágicos e cativantes. Ele, beirava a normalidade, não fosse ser um dos últimos homens corretos, honestos e fiéis. Não, não era monótono, pelo contrário, era muito imaginativo e divertido. Também tinha um coração extremamente bom. E juntos, formavam um casal feliz.
Ela amava com a esperança sonhadora dos primeiros romances, que apesar de alguns tropeços, era puro e completo. Ele amava com a cautela de um amante já conhecedor dos labirintos e armadilhas da vida, mas com a intensidade de um bravo lutador. E eles se amavam de forma bonita, um casal risonho de dar inveja. Passeavam por aí, de mãos dadas e almas entrelaçadas.
E gostavam de chá com biscoitos. Sem falta, religiosamente, ele comparecia a casa dela, todas as tarde de domingo, para degustar daquele delicioso hábito. O chá, ela que fazia, com todo carinho e cuidado. Às vezes variava-se o sabor, mas a xícara não. Os biscoitos eram trazidos por ele. Seu sabor também costumava diversificar, pois ela amava os de chocolate e ele, os de morango. Mas nunca misturavam os sabores: um domingo era morango, o outro, chocolate. Enquanto saboreavam seu saboroso chá da tarde, conversavam, riam. Assunto não faltava, pois ela falava mais que a boca e ele pelos dois. Quando a conversa acabava, olhavam da xícara quase vazia para os últimos biscoitos restantes e depois um para o outro. E caiam na risada, pois tudo aquilo era excelente e ambos estavam realizados: chá, biscoitos e a companhia um do outro.
Mas tudo que é bom, como os biscoitos de morango ou chocolate, um dia acaba. E nem sempre o último momento é bom como a última bolacha do pacote; ás vezes é desagradável como o pozinho que resta no fundo da xícara ao fim do chá. Ele gostava de beber, ela não. Ela gostava de balada, ele não. Nenhum dos dois gostava de dançar, mas ambos decidiram sair com seus amigos e cada um foi para um lado. Porém, naquela noite ele decidiu não beber, queria ficar sóbrio e dar risadas com os amigos. Ela, foi desafiada a “virar” algumas doses. Foi aí que ela descobriu que gostava de beber e como não estava acostumada... o álcool subiu rapidinho e logo estava “altinha” e contente, dançando como uma bela gansa desengonçada. Não que isso importasse, porque quem gosta, gosta até mesmo de uma gansa dançarina. E aquele estranho amigo gostava. Era a grande chance que esperava, poderia tentar algo... tirar aquele namorado chato do caminho! Então, sem perder tempo, ele agarrou a gansa e a beijou. Ela só foi perceber que tinha parado de dançar depois do terceiro beijo. E até, ele pensou, que para uma gansa bêbada, ela beija bem.
Continua ....

23.7.06

_ Fim de férias.
Está quase no fim... E eu não fiz nada de útil. A não ser adotar meus filhos, que cada dia que passa estão me deixando mais felizes. Estou decepcionada comigo mesma, com algumas pessoas, pra baixo mesmo. Que hora de ficar assim, na cara do próximo semestre, energia, energia, eu preciso me animar...
_ Queria ser uma fofa e branca nuvem para ser acolhida naquele céu azul infinito que eram seus olhos.
Não sei qual será o próximo, preciso escolher. Meu projeto anda indo bem, já escrevi um dos contos. E agora, finalmente, a última parte desse conto. Jaqueline terá seu conto realizado...
Para saber como acaba, tem que ler até o final.
Final

Duas semanas depois, Jaqueline acordou com a estranha sensação de já ter visto aquele dia. Aquelas cores perfeitas pintadas no céu, o ar leve e perfumado. Na escola, não parava de pensar no garoto, naqueles olhos, naquela voz... Seus amigos começaram a interrogá-la. Ela ria alto e se esquivava das perguntas... pensou que era tão bom que... Gelou. Correu à mala e vasculhou seus papéis, cheios de corações e contas misturadas quando finalmente achou. A professora de geografia entrou na sala em seguida, avisando que tinha trocado a aula com o professor de química que tinha inventado de fazer experiências no laboratório. O queixo da menina caiu discretamente enquanto pegava sua apostila de geografia.
Os minutos se arrastavam e Jaqueline queria sair correndo dali. Era verdade, verdade! Na saída, lá estaria ele, lindo, ai, deveria estar de preto como no conto. O sol bateria nos seus cabelos castanhos e perfeitamente desarrumados. Como era mesmo aquela linha? “Queria ser uma fofa e branca nuvem para ser acolhida naquele céu azul infinito que eram seus olhos.” Logo não precisaria ser nuvem alguma, quando estivesse nos seus braços... O sinal tocou, ela pulou da banqueta e saiu em disparada, só esperando. Não saberia o que dizer, oras, nem surpresa era! Mas não poderia culpá-lo, fora ela quem tinha escrito tudo aquilo. Seu coração batia tão forte que nem andar seria preciso, seria arrastada pelo desejo e pelo próprio destino. Antes de cruzar o portão, respirou fundo, tão ansiosa que chegava a tremer. Agora, agora...
O sol ofuscou sua visão por alguns segundos e então avistou. Lindo como em seus sonhos, perfeito como suas palavras nunca poderiam descrevê-lo. Ficou parada, só olhando, ele ainda não a tinha visto. Como ele estaria se sentindo? Ansioso? Quanto ele deveria amá-la? O bastante para estar ali, de preto como descrevera. Jaqueline sorria tanto e podia realmente ouvir pássaros cantando a mais bela canção de amor que o meio dia poderia oferecer. Teve o impétuo de ir correndo e se jogar nos braços dele, mas decidiu parecer surpresa, oh, você por aqui? Estava dando o primeiro passo quando aquele sorriso esplêndido enfeitou o rosto tão amado. Mas ele não olhava em sua direção, mas sim para o portão. Uma jovem do outro lado parecia retruibuir, apesar de envergonhada. Ele se adiantou, tomou-a nos braços num abraço que Jaqueline escrevera, apertado como seu coração fraquejante estava. Depois de algumas palavras trocadas, ele a beijou, o beijo cinematográfico que era dela! Seu corpo estremeceu e uma e depois outra lágrima cruel rasgaram seu rosto. Apertou o passo, escondeu o rosto e partiu para casa. Ao chegar em seu quarto, jogou da gaveta todos seus manuscritos, inclusive seu melhor que estava entre os dedos, amassado e frustrado e rasgou um por um. Dos mais simples, onde fadas beijavam o oceano sem nunca se afogarem até a primeira desilusão amorosa. Nunca mais escreveu uma linha sequer. Era uma princesa que se deixava consumir pelas chamas de um incêndio cruel.
Espero que gostem ^^

15.7.06

_ Squeeze!

Adotei dois gerbils lindos na quinta. Estava tão ansiosa pela chegada deles, pesquisando, vendo um monte deles... E agora eles estão na bagunça que podemos chamar de lar, puxaram pra mim, como pode-se ver, dormindo ou comendo deliciosas sementes de girassol. É uma sensação ótima cuidar de criaturinhas tão alegres, indefesas e sociavéis. Tudo bem que o Berquélio ainda acha que minha mão é uma semente gigante e albina de girassol, mas...

_ As delícias e horrores da primeira vez.

A adolescencia é ótima por isso... Se faz tantas coisas pela primeira vez! E bom ver coisas que você nunca achou que se realizariam acontecendo. Acho que quando se fica mais velho, essas coisas rareiam ou passam despercebidas, o que seria uma pena. Mas por enquanto, elas estão apenas ficando mais intensas, mais vivas e grudando na memória de forma absurda. Acho que essa é a que torna a adolescência ainda melhor que a infância... a consciência que é a primeira vez, poxa, é a primeira vez! Como andar a 50 km/h naquela estradinha, uhu, emoção, adrenalina! E depois quase arrancar o portão da casa da sua vó... pequenas coisas ... as delícias e horrores....

_ Projeto estranho ....

Estou com um projeto de contos, bem interessante a princípio, na cabeça. Começo a escrever hoje, depois de atualizar isso aqui e arrumar essa porcaria de PC, que sem ele eu não vivo. Aguardem, talvez eu poste aqui, talvez não. Mas dou notícias.

_ ... a doçura e inocência de quem nunca chorou por amor ...

Ah, o amor é a melhor inspiração? Jaqueline se enche de esperança e prepara sua obra-prima! Penúltima parte!

Para saber como acaba, tem que ler até o final.
Pt. 3

Havia um conto recente que tinha escrito. Sobre dois jovens que se conheciam na internet e viravam namorados. Este seria um ótimo desejo para se realizar. E sem dúvidas, se realizou. Uns três meses depois, mas estava quase comprovado seu “poder psíquico”. O garoto era um pouco diferente do idealizado, mas parecia ainda mais atraente, talvez pelo simples fato de ser real. Saíram duas vezes e Jaqueline já estava totalmente apaixonada. Aos 16 anos, qualquer coisa parece irresistivelmente apaixonante! Então, decidiu testar definitivamente a mágica que parecia acontecer quando escrevia. Juntou um monte de folhas, respirou fundo e sentiu-se a princesa arregaçando as mangas do vestido e empunhando sua espada.
As palavras saltavam direto de seu coração adolescente para a caneta, sem passar pelo cérebro. A história tinha o ritmo doce de uma tarde perfeita de primavera sem nuvens no céu, a doçura e inocência de quem nunca chorou por amor e a vitalidade de quem tem todo o tempo do mundo para viver. A prima de Jaqueline com certeza diria isso da estória e se encheria de orgulho. A melhor de todas. Começava com uma manhã lindíssima, sem sono e sem cansaço, na escola. A protagonista, que com certeza era Jaqueline, além de prestar atenção na aula, viajava em sonhos românticos com o garoto de seus sonhos que agora estava tão perto que poderia ser dela. Só de passar os olhos pelas linhas, pela primeira vez, muito bem escritas, podia-se sorrir. Todos comentavam que estava apaixonada, e ela, tímida, negava e não dizia coisa alguma. Era tão bom, que se escapasse da prisão ardente que era seu coração, poderia estragar. As duas últimas aulas trocavam de posição, pois o professor faria uma experiência no laboratório. Na saída, com passarinhos felizes cantarolando, coisa meio complicada de acontecer na bagunça que era aquela cidade, a cheia de alegria protagonista respirava fundo e do outro lado da rua esperava seu príncipe encantado. Sorria, com aquele jeito encantador, seus olhos tão azuis quanto o céu. Ele tinha vindo só por ela, pedi-la-ia em namoro. O conto acabava num lindo beijo cinematográfico. Ah, os sonhos, os sonhos.
Continua ...

8.7.06

_ Layout novo.
Espero que agrade, eu gostei bastante. Pena que ficou um espaço em branco muito grande do lado. No próximo layout eu tomarei mais cuidado.

Daqui a alguns dias eu posto a próxima parte do conto.

7.7.06

_ Férias.

Tempo de relaxar. Quero fazer tantas coisas, mas nada de ficar planejando, prometendo. Vou deixar as coisas acontecerem. E elas acontecem.

_ Layout.

Estou planejando um layout novo. Esse verde já cansou minha beleza. Além do mais, não já é época de primavera, tanta coisa mudou por dentro que por fora merece mudar também, não acham? Aguardem.

_ ....em bosques tão verdejantes que nunca conheceram inverno.

Já teve a sensação de "prever" o futuro. Simplesmente saber o que aconteceria? Será que isso realmente pode acontecer? Acho que todo mundo já parou pra pensar nisso, pois o futuro é uma coisa tão fascinante...

Para saber como acaba, tem que ler até o final.
Pt 2

Não, Jaqueline nunca escreveu nada tão “grandioso”. Suas estórias eram todas otimistas e simplistas. Até uns 14 anos, escrevia sobre o fantástico. Bruxas malvadas que invejavam princesas, fadas que se apaixonavam por garotos que adoram andar em bosques tão verdejantes que nunca conheceram inverno, fantasmas em busca de paz e redenção, animais que conversavam com seus donos e davam melhores conselhos que humanos. Mas logo os temas se esgotaram e ela se viu adolescente, cheia de coisas divertidas para contar e fantasiar. Podia criar mundos onde ela era o que queria ser e fazer o que bem entender. Roubar corações, ter todos os amigos, ser rica e famosa. Começou a escrever, coisas tolas, que ela achava um máximo. Um dia, se deparou com um fato que a levou a vasculhar seus rascunhos e a assustou tremendamente. A estória que chamou sua atenção foi sobre uma menina que estava muito afim de um garoto duas séries a frente. Mas a suposta melhor amiga o roubava. Fato comum, mas o intrigante é que aconteceu exatamente a mesma coisa dois meses depois. Porém, quando escreveu, não havia garoto duas séries a frente, tão lindo como aquele. Um tempo depois, a inspiração de Jaqueline a levou a escrever uma estória muito bonitinha sobre uma garota que perdia um livro, de capa vermelha, e quem achava? O menino mais bonito da sala! Um mês depois, a professora falou sobre um livro de poesias que havia na biblioteca, atiçando a curiosa paixão literária de Jaque. Coincidentemente, sua capa era vermelha, vermelho paixão ardente. Só que suas poesias eram complicadas e profundas como ela ainda não era e não podia sentir. Quando sua amiga chamou para ver o jogo de futebol dos meninos do último ano, saiu correndo e o livro foi esquecido. Na semana seguinte, já em pleno desespero por ter que pagar outro, aquele menino lindíssimo veio devolvê-lo. O vermelho sangue ficou tímido perto das bochechas rubras de vergonha e felicidade da jovem. Duas coisas escritas, duas coisas realizadas. E tinha mais ... o conto sobre a prova de matemática bem sucedida também tinha se tornado realidade. E sobre uma jovem que contava a história de como uma prima poeta tinha arranjado o homem dos sonhos na fila da padaria. Apesar da falta de talento, Jaqueline podia prever o futuro nas linhas de suas fantasias cotidianas? Seria ela uma espécie de... vidente? Poderia desejar coisas e estas acontecerem?



Continua .....

25.6.06

_ Idéias, idéias ... mudanças, mudanças

Quanto tempo sem escrever! Mas bem, férias daqui a pouco e eu posso me dar ao luxo de ganhar um tempinho aqui. Fazia tanto tempo que eu não escrevia ... pior que estou cheia de idéias. Mas outro dia eu tive que parar pra escrever esse conto ... Porque escrever é um alivio tão grande, uma coisa que me dá força, um "talento" que me faz sentir especial. Mesmo que eu não seja uma escritora tão boa como eu gostaria. Mas com o tempo eu melhoro. Nas férias, espero escrever todos os que estão só no rascunho, ler todos os livros e fazer todas as provas da UNESP! Deu pra perceber que estou otimista rs Meu humor anda oscilando tanto ... mudanças....

_ E a escada, era tão longa que ela demorou quase meio dia para subir ...

Essa história me fez deixar a apostila de literatura do cursinho de lado, no ônibus, e ficar olhando para as pessoas na rua, o céu azul, as casas... e escrever. Porque papel e caneta ou um teclado e uma tela não são nada para quem tem necessidade de escrever, a qualquer hora, qualquer lugar.

Para saber como acaba, tem que ler até o final.

Pt. 1

Tinha aprendido com a prima mais velha. Ela sim era boa, escrevia muito bem, tinha talento e o espírito. Jaqueline já escrevia por hábito, porque era a brincadeira preferida desde pequena. A primeira estoriazinha que tinha escrito era sobre uma florzinha que gostava do vento. Mas a verdade é que ela não levava jeito para a coisa. A prima continuava lendo, mesmo depois de crescida, e apoiava. Gostava da simplicidade e beleza das fantasias infantis da priminha e achava que, talvez, suas histórias amadurecessem e ficassem mais atrativas. Coisa que jamais aconteceu.
Ela começou quando tinha nove anos, depois de ouvir uma história fantástica da prima. Falava de uma princesa que ia salvar um príncipe das mãos malvadas de um bruxo invejoso. A princesa era tão heróica e cheia de coragem que dava gosto, imaginar uma garota com seus 17 anos, com aqueles vestidos longos e maravilhosos dos filmes, no meio de uma luta de espada. E a escada, era tão longa que ela demorou quase meio dia para subir, descalça. Pensar nos pés delicados e pequenos de uma princesa subindo a escada pedregosa e tortuosa era tão emocionante! Devia ter lido umas dez vezes aquela história, principalmente depois de crescida, para ver se a coragem daquela heroína idealizada lhe dava alguma força. No final, acordava o príncipe com um beijo de amor verdadeiro e eles fugiam do castelo em chamas, olha, ainda tinha a fuga de um incêndio! Mas dessa vez, o príncipe é quem fazia as vezes de herói e a princesa podia voltar a ser frágil e delicada como todas elas eram. A prima nunca contara, mas tinha mudado o final de seu conto de fadas sem fadas especialmente para sua priminha. Contar-lhe o final verdadeiro seria destruir as ambições românticas e literárias de uma meninha e mesmo que fizesse isso depois que Jaqueline crescesse, o efeito seria o mesmo. No final real, a princesa ao chegar à torre, acordava o príncipe, que com o orgulho ferido por ser sido salvo por uma mulher e por vê-la cansada, machucada, com uma aparência nada atraente, apesar de vitoriosa, rejeitava-a e sem sequer dizer obrigada, saía do castelo. A princesa, desolada, fez da torre sua tumba e ardeu até que a paisagem acabasse no completo silêncio e aquele príncipe ingrato se perdesse no horizonte em seu cavalo branco.

Continua ....

5.3.06

_ O fim do sossego.

Sim, eu fiquei três meses em merecidas férias e perguntem se eu postei alguma coisa aqui? Não, é claro que não! Por que? Bem, não me pergutem. Eu tive todo tempo do mundo, muitas e muitas coisas aconteceram. Várias coisas que mereciam um lugar aqui, um comentário, uma reflexão, um minutos perdidos para pensar e outros para digitar. Pois, é mais eu não fiz nada disso. Mas pretendo voltar a fazer... porque a rotina volta. Cursinho, agora alemão e quero postar no meu blog fantasma. Escrever, exercer ... sabe como é, vestibular merece uma redação bonita e nada melhor que treinar para chegar a perfeição. Aliás, o meu único orgulho naquela porcaria de prova é que na de português eu fui razoavelmente bem. Mas a redação me colocou em apuros. Era sobre felicidade... como eu poderia falar de felicidade quando eu me sentia o ser mais fracassado do mundo? Era fácil, mas organizar as idéias quando você já perdeu toda a esperança é complicado. Mas até que me sai bem. Porém, esse ano ... vai ser bem melhor. Sim, eu dei a volta por cima ...

_ Era o dia mais feliz de sua vida?

A felicidade explodia em seu corpo como algo que ela nunca imaginara. Felicidade boba, do nada ... perfeita. Mas ... e os poréns que a vida nos reserva?

Otimismo
* Pt.Final *

Ela deu uma risada alegre, espontânea, que faria naquela tarde? Estava começando a ficar atrasada e se o ônibus demorasse mais do que o costume? Ela não se importava, não, não...Não queria nem saber. Era o dia mais feliz de sua vida? Não, era a época mais feliz da sua vida, felicidade, felicidade... a palavra parecia deslizar pelo seu corpo, enchendo sua boca de sorrisos e risadas e canções e sonhos... era amada e amava, estava saudável, estudava e trabalhava nas coisas que gostava, finalmente terminara de arrumar sua casa que agora podia chamar de lar, seus amigos estavam todos se arrumando na vida e quando se reuniam eram somente risadas e planos, sua mãe tinha parado de brigar com seu irmão mais velho e os negócios de seu pai iam bem. Era bom ser feliz e estar consciente disso. Era bom, era um dia ótimo, era um mês satisfatório, era a vida feita para ser vivida, cheia de altos e baixos e .... Como se sentia bem! Esticou o braço, pegou o xampu e suspirou, sentiu o coração repleto de alegria e... foi rápido. Seu pé escorregou, o corpo perdeu o equilíbrio e suas mãos ensaboadas escorregaram pelo azulejo procurando apoio, golpeando o ar. Seu corpo pesado bateu no chão e seus olhos se apertaram prevendo o pior. Ouviu o baque molhado de sua cabeça batendo na quina da banheira e por último, a felicidade escorrendo vermelha por um corte profundo perto da nuca.
...... fim .....
Fiquei feliz por esse conto. O final é um choque, é rápido, assim como tudo pode terminar. Espero que meu público fantasmagórico goste! rs

29.11.05

_ Puf.

Está acabando comigo estudar tanto. Quer dizer, lutar para estudar. Porque estudar mesmo, está díficil. Mas ainda mais complicado é lutar contra um dos meus piores inimigos. Não, não é a disputa acirrada de 64 almas (sedentas por conhecimentos e um lugar ao sol)por vaga e nem contra o tempo que parece ficar cada vez mais curto... É contra mim. O modo irritante como me cobro de uma maneira cruel. Nunca me basta estar na média, preciso me destacar, ser a melhor. Que ódio. Não consigo colocar na cabeça, entre logaritmos e os malditos mols e espelhos concâvos que eu não POSSO SABER TUDO. Que por mais que eu estude, eu NÃO VOU SABER. Vestibular é cruel, mas entrar em conflito com tudo que você é... isso sim dói. Dói mais que minhas costas depois de passar o dia inteiro debruçada sobre uma maldita carteira de colégio. Sim, tempestades no copo d´água. Eu sou assim e tenho que aprender a lidar com isso! Estudando pra passar ... no vestibular da vida. Talvez eu tenha que estudar um pouco mais. Puf.

_ Otimismo.

Um dia daqueles. Um dia feliz. Sabe? Então, esse conto é sobre esse dia, que acordamos pra sorrir.

Otimismo.
*Pt. 1 *

Ligou o chuveiro. A água caiu sobre seus ombros e ela se encolheu um pouco, dando risada. A água quente foi encharcando seus cabelos longos, fechou os olhos, só ouvindo o barulho da água caindo na banheira e escorrendo lentamente. Olhou pela janela e nem fazia um dia tão bonito assim. A tempestade da noite passada tinha deixado o céu tristonho e cinzento e o ar úmido. Mas ela não estava nem aí para as nuvens pesadas que caminhavam vagarosamente pelos céus pois estava feliz. Ela não sabia como e nem porquê, mas sorria. Não estava tudo certo, era bem verdade. O preço das coisas continuava aumentando e o governo estava uma bagunça. Ela tinha muitas coisas para fazer, seu quarto estava bagunçado e ainda não tinha achado aquele livro que sua mãe pedira. Também continuava acima do peso e aquela blusa que ganhara do namorado de natal ainda não servia. Mas nada disso importava, ela estava feliz! Pela primeira vez na vida estava ali, debaixo da água, lavando os cabelos e sorrindo. E não era só um surto, aquelas coisas que a gente tem quando acontece algo muito bom de repente, sabe, quando sorrimos e cantamos e pulamos e o mundo parece todo feito pra gente. Era uma coisa estranha que envolvia seu corpo e sua alma, apertava-a de uma forma confortável, porque tudo estava bom, muito bom... Não perfeito, porque nada nessa vida é perfeito, mas...

Continua ...

4.10.05

_ Será essa metamorfose inversa?

No post anterior, apenas escrevi o que minha consciência gritava. Mas o tempo foi passando e sabe, acho que não estava em minhas mãos o poder cuidar da metamorfose, porque nesse caso, parece-me que não foi a lagarta que virou borboleta... Mas a borboleta que virou lagarta. Ou será que nunca existiu borboleta? Mas agora, não me interessa mais ... É passado. Deixemos as borboletas, lagartas e metamorfoses se perderem pelo caminho... Distantes de mim.

_ ... Acordou era um belo fim de tarde, fim da luz do sol no azul do céu, fim de tudo.

Finalmente, o final de Mil horas. Tenha paciência ... é longo, mas se você for ver... É curto. Terrivelmente curto.

Mil Horas
* Parte 7 - Final *

Acordou era um belo fim de tarde, fim da luz do sol no azul do céu, fim de tudo. Tomou um banho, penteou os cabelos, perfumou-se. Estava pronta, finalmente pronta, depois de tanto tempo... Arrumou a cama, lençóis brancos e macios. Apagou as luzes da casa, mas deixou a janela meio aberta para o ar frio entrar. Mexeu nas gavetas e achou a lâmina... Suspirou e lembrou-se de tantas vezes que a encarou, questionou-se, achou em algum lugar esperança e deixou para depois. Mas agora a esperança estava em acabar com tudo, pois ela estava condenada a ser triste. Se não fosse agora, seria depois. E bastava, bastava. Sentiu dor, mas não se importou... O sangue escorreu pela pele pálida tão vivo, trazia nele tanta esperança... Deitou-se na cama e fechou os olhos, agora não tinha mais volta. Sorriu, faltava pouco... Bastava, bastava. Aqueles últimos momentos de um dia de mil horas correriam rápidos, teriam apenas dois segundos. A dor aumentava, os lençóis tornavam-se vermelhos, a morte vinha devagar, beijar-lhe carinhosamente as faces mais pálidas que nunca. Perdeu a noção dos minutos. Estava perto... Bastava, bastava... Os sentidos foram ficando fracos, afastando-a do mundo... O telefone tocou ao longe... E tocou, tocou. A secretária eletrônica atenderia e guardaria o recado, que infelizmente ela nunca responderia.
_ Alô? Alô... Atende, por favor. Eu sei que você está aí.
A voz trouxe-a de volta para esse mundo mortal. Sentiu a dor intensa e tentou falar alguma coisa, mas sua voz morria junto com ela. Era ele.
_ Não vai me atender mesmo? Atende vai... Tudo bem, eu falo com a secretária eletrônica mesmo... Eu sei que você está me ouvindo de qualquer forma.
Sim, ela tinha voltado só para ouvi-lo. Queria atendê-lo, dizer-lhe tantas coisas... Tentou sair da cama, lutava contra a morte... Só precisava de mais uns minutos, custava esperar?
_ Preciso pedir desculpas, isso estava me matando o dia inteiro, você nem sabe como foi minha noite, sem dormir, só pensando. Tive medo de chegar aí e você não estar ou fechar a porta na minha cara. Mas... Desculpa, perdoa-me. Agi tão errado, como um idiota. A culpa não é sua... Eu só lhe quero bem, eu te amo tanto! Vai, atende esse telefone logo...
Ela estava tentando, juro. Mas as pernas estavam fracas e a escuridão não ajudava. E sangrava tanto! Só mais alguns míseros passos até o telefone...
_ Vou passar aí daqui à uma hora. Antes vou comprar-lhe umas flores bem bonitas, vermelhas como você tanto gosta. E se você me perdoar, vou te encher de beijos e nunca mais vou fazer você chorar. Você será a mulher mais feliz do mundo...
Eu fui a mulher mais feliz do mundo, pensou. Sorriu, apesar da dor. Afinal, ainda existia em alguma parte dela, uma alma. A mão suja de sangue caiu sobre o telefone.
_ Alô, você está aí mesmo?
_ Eu...
_ Você está bem?
_ Eu... Te... Amo...
O telefone escorregou de sua mão. Seus joelhos não suportaram o corpo e o corpo não podia mais sustentar a alma. Caiu, fechou os olhos e tudo que ela queria eram mais mil horas para tentar tudo de novo.

Fim.

17.9.05

_ E o tempo tem fome de vida ....

Demora para postar desde que comecei o cursinho. Aliás, eu deveria estar no ônibus, rumo a duas agradáveis aulas de redação. Mas como não estou muito bem de saúde e achei as aulas meio desnecessárias, preferi ficar em casa... Está mais quentinho e confortável. Estou preocupada, andei perdendo várias aulas... Gripe, esse negócio estranho que tive no estômago... Toca eu correr atrás... O vestibular está chegando, preciso estudar, preciso passar... Preciso de muito ânimo, aliás preciso de muitas coisas e está difícil... eita fase maldita!

_ Mais uma vez, o tempo ... traga de volta tudo aquilo que se perdeu...

As coisas andaram estranhas para mim no setor amizade. Uma face estranha apareceu e eu não soube lidar com ela. Aliás, ninguém soube. Então, corremos, procuramos um lugar para poder nos abrigar daquela estranha mudança. Mas como poderia deixar aquele ser perdido na sua própria metamorfose, sem saber direito o que estava acontecendo? Na dificuldade, eu corri. Senti-me covarde e ainda mais, senti saudades. Quando alguém passa a fazer parte de nossas vidas, é difícil deixá-la partir, abandoná-la só porque não reconheçemos mais seus olhos... Afinal, apesar das estranhas asas que ela ganhou durante a metamorfose, lá dentro ainda é aquele ser que um dia nos preocupamos... E então, o tempo nos suspirou no ouvido o óbvio... Que era hora de voltar, que tinhámos sido tão tolos em correr de algo que era nossa obrigação assistir e cuidar. Nós, que falamos tanto, não tivemos coragem na hora certa de fazer a simples pergunta ... Está tudo bem com você? E o tempo nos deu a resposta ... Sim, está bem, mais poderia estar melhor senão fosse a covardia de vocês, que ousam se intitular, amigos. Cubro-me de vergonha, prometendo que não farei mais isso.

_ Afinal, estava acordada há mil horas...

Uma dia difícil que se estendia em uma tortura sem fim... seriam seus últimos instantes ?

Mil Horas
* Parte 6 *

No meio do caminho tão conhecido, decidiu. Chegaria, tomaria um banho, pentearia os longos cabelos e... Passou na frente de mercado, recorreria às companheiras de farra, de alivio? Não, ele havia ensinado que nada se resolvia assim. Talvez um belo sonho em pílulas, como nos velhos tempos de insônia? Ele tinha mostrado que não valia a pena. Teria coragem e enfrentaria tudo sozinha no último instante... Por ele? Não, por ela.
Entrou no apartamento e sentiu frio. Havia tanta vida naquele maldito lugar, tanto amor! Jogou-se na cama, ficou olhando o teto e percebeu que as lágrimas escorriam lentamente. Sentiu o sono soprar-lhe as lágrimas e pesar nas pálpebras. Afinal, estava acordada há mil horas... E adormeceu, perdida em um sonho vazio, afinal, sua alma não lhe acompanhava mais.

Continua ...

19.8.05

_ Seus olhos eram da cor dos mais deliciosos pesadelos ...

Escrevi um conto essa semana. Vou postá-lo assim que terminar de postar o Mil Horas. Aguardem... só preciso de tempo para digitá-lo. Meu tempo anda tão curto... Ainda bem que fantasmas não cobram prazos.

_ " ... estar sem alma seria uma doença?"

A alma as vezes pesa tanto em nossos corpos, que a única coisa que desejamos é nos livramos dela...

Mil Horas
* Parte 5 *

Voltou para o emprego sentindo o estômago revirar. Surpreendeu-se com o poder das três bolachas, mas lembrou-se que junto com elas, haviam alguns litros amargos de magoa. Ao respirar o ar pesado do escritório seu corpo decidiu fazer o que ela mais precisava fazer: vomitar. Saiu em disparada em direção ao banheiro, mas ainda teve tempo de ouvir o comentário mais infeliz do dia.
_ Deve estar grávida.
E seguiu aquela risada pegajosa e forçada pairando pelo ar, como se a perseguisse. Aquela maldita sabia... Não podia ter filhos. E isso era uma de suas maiores dores, seu maior pesar... Sua ferida aberta, impossível de cicatrizar. Sua vontade de vomitar aumentou ainda mais, abriu a porta com violência e trancou-se lá. Caiu aos pés do vaso e libertou-se. Não vomitou apenas a comida indigesta, mas também o amor. A dor, a mágoa, o ódio, a frustração... Vomitou a alma por inteiro. Estava quase vazia, sentindo o peso quer era seu ser finalmente aliviado. Mas não chorou ou sorriu, permanecendo segura no silêncio e na imobilidade.
Depois de um tempo, ergueu-se, limpou-se e deparou-se com o espelho. Seus olhos estavam limpos e sentiu seu peito que não mais abrigava um coração, leve. Saiu.
_Nossa, você está com uma aparência doente... É melhor ir para casa descansar, querida.
O perfume não incomodou, mas precisava vomitar as últimas vibrações emotivas de seu ser, a última gota de humanidade de seu corpo.
_ Você está sempre com essa aparência ridícula e de vagabunda e ninguém incomoda. Assim, faz o favor de não me encher!
O rosto tão sorridente tingiu-se de vermelho intenso, vermelho vergonha, vermelho raiva. Seus lábios abriram-se para dar uma resposta ácida, mas ela já tinha lhe dado as costas. Apesar de vir de quem vinha, não era uma má idéia ir pra casa. Pediu para ir mais cedo e o chefe, observando-a com pena, liberou desejando-lhe melhoras.
_ Você parece doente mesmo... _ ele lhe disse. Mas, pensou ela, estar sem alma seria uma doença?

Continua ...

14.8.05

_ Estou atrasada, preciso correr.

Cursinho e colégio ao mesmo tempo é pesado. Mas estou gostando, sabe? Porque a vida boa acabou de vez, agora que estou quase adulta, nunca mais paz e sossego, não é verdade? Nessa idade, começa a luta cruel por um futuro... por estudo, por um emprego... As vezes me dá vontade de eternizar os 16, por exemplo. Aquela parte onde a adolescência está totalmente amadurecida e a idade adulta ainda está dando os primeiros sinais. Época que as responsabilidades estavam ainda aparecendo, preocupações e decisões eram pequenas. Se eu estou querendo fugir da vida? Não, só dá saudade as vezes. Porque sabe, a memória torna até os mais amargos momentos doces e sem falhas... Ela nos traí, criando um passado menos amargo que nos dê mais esperanças que o futuro seja melhor e que o presente é apenas uma passagem, as vezes, cruel. Mas nenhum dos dois tempos tem verdadeira importância.... Apenas o presente é grande, a única coisa que podemos realmente sentir. Mas o homem não aprendeu ainda e vive o presente em função do futuro. E eu, sou mais um desses humanos, alimentada pela memória falsa de um passado mais tranquilo e pela construção de um futuro incerto que fingimos ter total segurança que será bom.

_ Comprei até uma rosa para ela.

Sentença de morte ou libertação? As vezes a morte é a única solução...

_ " ... lutava ferozmente em silêncio ... "

Nossa personagem realmente está tendo um dia péssimo. Quanto tempo mais pra ele acabar?


Mil Horas
* Parte 4 *


_ Terminou. Só...
_ Oh... Sinto muito. Mas você vai ficar bem com o tempo, viu?
Agradeceu com os olhos, pois a voz não permitiu fazê-lo. Foi quando sentiu um perfume exageradamente doce e nauseante às costas. O barulho irritante do salto confirmou a presença.
_ Acabou? Ahhhhh, que pena! Vocês estavam tãoooo bem. Tãoooo irônica! Queria fazê-la engolir aquele tom. Era tão impiedosa e descarada que sequer se deu ao trabalho de esconder o sorriso. Era conhecida sua queda por seu namorado, mas ele a rejeitou, preferiu a menina tímida e graciosa, segundo ele mesmo. Assim como nunca trocava de perfume, aquela cínica nunca aceitara a derrota. E vivia celebrando as briguinhas e desentendimentos do casal.
_ Pois é, estávamos.
_ Ah, mas não se preocupe! Aliás, sempre achei que vocês não combinavam, sabia! _ Deu aquela risadinha forçada e saiu rebolando, com um sorriso tão imenso que mesmo de costas, sabia-se que sorria.
_ Sujeitinha mais...
_ Vadia.
O ódio por aquela “sujeitinha” parecia ser geral. Sua arrogância e convencimento eram intragáveis. Só o chefe, que idolatrava suas curvas, seus cabelos loiros tingidos e sua tremenda falta de caráter e cérebro, suportava-a. Mas ela estava cansada demais para se preocupar com pequenas pessoas como aquelazinha. Refugiou-se em suas obrigações que eram muitas, aliás.
_ Vamos almoçar?
_ Desculpa, mas hoje não...
Evitou o restaurante onde sempre comia. Não tinha apetite e o cheiro, outrora sedutor, repeliu-a para ainda mais longe. Foi caminhando, sem rumo e acabou em uma agradável praça cheia de arvorezinhas floridas e tão coloridas, grama recém cortada, passarinhos brincando e rodopiando pelo ar tão livres... E algumas pessoas curtindo sua hora de almoço. Parou em uma vendinha para comprar um pacote de bolachas. Apesar de estar totalmente sem fome, não podia ficar tanto tempo sem comer. Jogou-se em um banco e ficou observando o movimento. Viu felicidade, tanta felicidade... Estava compartilhando daquele sentimento a menos de uma semana atrás, mas agora aquilo lhe parecia tão distante... A contra gosto engoliu três bolachas, enquanto lutava ferozmente em silêncio contras as lágrimas. Não conseguiu comer mais. Seu corpo simplesmente parecia determinado a expelir coisas.

Continua ...

2.8.05

_ Qual lugar mais bonito em que você já esteve?

Ah, respiro aliviada! Livre de toda aquela coisa horrível que estava grudada em cada poro de meu corpo, em cada espaço do meu coração. Tempestade foi-se de vez, abrindo lugar para um céu maravilhosamente límpido e azul. Espero que dure... Acho que gritar e chorar faz um bem danado no final, pois expulsa tudo que há de ruim no corpo e na alma. Vivo dias mais tranquilos, mais seguros e felizes. Esperançosa e determinada, como gosto de estar. Porque vivemos de tempestades e calmarias. E esse é meu período de calmaria, enfim.

_ " ... estava insensível às coisas do mundo. "

Minha personagem ao contrário, vive sua fase de tormenta. Final eu diria. A tempestade que não vai embora nunca, o momento em que se desiste de lutar, respira-se fundo e não se sente mais nada. Que será dela?

Mil Horas
* Parte 3 *
Não tomou seu café da manhã. Seu estômago não sentia fome e estava um pouco enjoado. Tinha que sair rápido, pois já estava atrasada para pegar seu ônibus. Mas não se importava... Um ônibus a mais ou a menos, dez ou quinze minutos de atraso não fariam diferença. Aliás, nada parecia fazer diferença aquele dia... O trânsito não a irritou, pois estava insensível às coisas do mundo.
Ao pegar o elevador e apertar o botão do décimo andar, lembrou-se que odiava seu emprego: as pessoas, o lugar apertado e barulhento, a quantidade enorme de tarefas e aquele chefe sempre mal humorado. Sua função não era má, mas todo o resto mal podia suportar. Talvez se só fosse enfiar a cabeça no trabalho... Mas tinha que conviver e a convivência era sempre problemática. Naquele dia mesmo, ouviria os comentários maldosos sobre sua aparência insone diretamente de sua “inimiga” de trabalho, sempre arrogante e prepotente. Também havia a bronca que levaria do chefe pelo atraso e como ouvir sua voz molenga e pastosa reclamando pelos malditos quinze minutos não bastasse, ainda receberia tarefas extras “pra ontem”, como ele gostava tanto de dizer e dar risada, como se aquela frasezinha inútil tivesse alguma graça. Só havia uma pessoa que considerava, sentava-se ao seu lado em uma mesa organizada e impecável. Era uma mulher com um coração bondoso e extremamente tranqüila.
A porta do elevador se abriu. Ela respirou fundo e entrou cabisbaixa, desejando que ninguém percebesse sua quase inexistência.
_ Quinze minutos de atraso, mocinha.
_ É, eu sei. Desculpa, o ônibus atrasou.
A bronca não se prolongou e ela agradeceu. Sentou-se pesadamente na cadeira e ligou o computador.
_ Bom dia!
_ Oi.
_ Que aconteceu?
_ Não dormi a noite.
_ Só isso mesmo? Quer conversar?
Ela sempre tinha essa atitude preocupada. Quantas vezes não a vira com aquele rosto pálido triste e não se sentara com um sorriso pra ouvir-lhe as reclamações? Mas não, ela não queria conversar, explicar os olhos inchados, simplesmente queria deixar tudo trancado no apartamento junto com a toalha e o xampu.
Continua ...

28.7.05

_ Vou acender uma vela por você.

A TPM passou. A tempestade não. Sabe quando você explode e joga tudo aquilo que você simplesmente acha que acontece a sua volta? Você sabe que não, mas é só uma desculpa, pra chorar um pouco mais e dizer que está triste ainda com alguma coisa que você simplesmente não consegue explicar. Tudo está bem, bem... Acho que preciso de um abraço que transmita tudo aquilo que eu quero sentir profundamente. Que sabe, está tudo bem.

As vezes eu acho que tem algo errado comigo. Que eu as vezes volto para os tempos de solidão. É falta do que fazer. Passa logo... Espero. Aqueles tempos, negros e frios... não quero que voltem.

_ " ... simplesmente não conseguia parar de sentir sua benção. "

Mais uma parte de Mil Horas para meus caros leitores invisíveis.

Mil Horas
* Parte 2 *

Foi até a cozinha com alguma esperança, talvez ainda restasse algo. Mas não, nada restava, nenhuma garrafa miraculosa e pacificadora. Ele também tinha feito o mau hábito de acabar com as preocupações numa taça de vinho ou numa dose de vodka ter fim. Seus antigos refúgios tinham sido todos violados por aquele homem cruel que só fez o bem. Deparou-se sentada na mesa, olhando a madrugada passar através da janela. O que seria dela agora sem ele? Nada, nada! O que sempre fora, um nada aborrecido e rastejante. A hora insistia em não passar, assim como a dor. E o sono nem para dar as caras e consolá-la.
Ficou assim, pensativa e largada pelos cantos da casa até que o sol veio ferir seus olhos doloridos. Encostada em algum canto, olhava o nada, tentando pensar em coisa algum, mas aquele lugar estava abençoado demais pela presença dele e ela, criatura dependente, meio parasita, simplesmente não conseguia parar de sentir sua benção. Ouviu o despertador no quarto. Era mais um dia nascendo devagar... E ela, em contradição, morria. Arrastou-se vagarosamente até o chuveiro. Um banho e um dia longo e cansativo no trabalho com certeza iam encher sua cabeça o bastante para esquecer seu drama pessoal. Drama, drama... Sentiu-se humilhada por sua dependência. O barulho da água silenciou os insultos que fazia contra o ser que mais odiava no momento; a idiota no espelho. Seu corpo magro agradeceu a ducha. Surgiu uma vontadezinha de sorrir, porém seus lábios recusaram-se a fazê-lo. Estavam eternamente tristes. Olhou em volta e achou provas da convivência de cinco anos com ele. Seus joelhos ossudos balançaram e o corpo escorregou pelo azulejo gelado. Era apenas um xampu e aquela toalha azul... Achou que seu estoque de lágrimas devia ser infinito e ficou ali, deixando o chuveiro prantear com ela.


Continua ...

24.7.05

_ ... sem misericórdia...

Bem, como eu disse em algum post por aí, a primeira parte de Mil Horas... ando escrevendo bastante, espero postá-los por aqui. Mil horas é grande, por isso, a meus caros fantasmas que acompanham meu blog, paciência.

Mil Horas
* Parte 1 *

Lançou o lençol longe e recomeçou seu pranto. Seus olhos já estavam inchados e ardiam. Por Deus, só queria dormir! Profundamente e nunca mais acordar, de preferência. Cerrar seus olhos vermelhos, descansar o corpo fraco e livrar-se da alma que incomodava. Burra, burra, mil vezes burra! Estragara tudo novamente, com sua imaturidade, com sua personalidade fraca e inconstante. Virou-se e afundou o rosto no travesseiro encharcado de lágrimas, preenchido não por espuma, mas por desespero. Não conseguia se lembrar de outra vez que tinha chorado tanto. Queria gritar, mas eram insuportáveis três horas da manhã. Acordaria os vizinhos. Os mortos até, se realmente gritasse como tinha vontade. Sentou-se, acomodando-se na cama que parecia mais seu leito de morte. Observou a escuridão silenciosa e cruel. Buscou no silêncio da madrugada algum conforto, mas não achou. As lágrimas cessaram. Haveriam de ter secado, enfim. Precisava dormir, demônios! Madrugada que jamais acabava... Aquela noite, para sua desgraça, tinha mil horas, sem descanso e sem misericórdia.
Pulou da cama e foi ao banheiro. Vasculhou o armário do espelho de novo, mas não... Não estavam lá. Por que se livrara deles? Calmantes; tomá-los-ia e pronto! Uma noite tranqüila de sono sem sonhos. Queria poder fugir daquele pesadelo que vivia. Tão real que doía na carne. Ele, sim, ele a fizera jogar no lixo todos seus antigos companheiros. Ele tornara suas noites tranqüilas, com seus olhos doces. Fizera com que largasse do vício para adquirir outro, agora podia ver, bem pior: o amor. Sequer se olhou no espelho, pois tinha medo, repulsa. Nunca se acostumara com as próprias feições, aquele rosto magro e pálido, sempre triste. Nascera com aquela expressão, morreria com ela e não lhe restavam opções a não ser aceitá-la. E naquele momento, estaria ainda pior, marcada por aquela dor que não a deixava dormir.

Até.

19.7.05

_ " Seria uma segunda feira linda de Julho se não fosse o cheiro de morte putrefando o ar..."

Não quero ser velada quando morrer. Não quero gente chorando e esperneando sobre meu caixão. Quero paz na hora de morrer, um túmulo bonito com um anjo adulto ( nada de anjinhos de cabelo enrolado ¬¬ ) com flores na mão. Que elas sejam eternas como eu não pude ser. Mas nem elas serão, não é verdade? Nada, exatamente é eterno. Mas o que me faz passear pelas tumbas da morte, em uma segunda feira tão linda? Nada, é que velórios me fazem pensar. Odeio ver meus amigos tristes.

_ " A angústia corroia-lhe a garganta e o peito já estava oprimido com aquele ar ...."

Odeio me sentir assim... Não, essa coisa me levou a pensar em coisas estranhas, mas logo percebi que o erro estava em mim. A tristeza as vezes é dura de combater. Desmotivada, forte e teimosa... Gruda e invande o coração. As lágrimas não são bem vindas, nem sei o que as causou. Então eu luto, luto... penso em outra coisa, faço outra coisa, encho a cabeça para não dar importância para essa besteira que é sentir triste só por estar aqui.... Problema é que minha alma é tão mais forte que meu corpo...

Mais coisas a escrever ... deixa pra depois, quando a tristeza não esiver influenciando malignamente minhas palavras ...




10.7.05

_ Melhor iluminação ... 1963, Nosso Ano!
Reviver as lembranças da noite de 3 de Julho de 2005 é aquecer essa madrugada horrível de sábado. Sim, o trabalho sem amor me rendeu o prêmio de Melhor Iluminação e rendeu para o grupo o prêmio de Melhor Espetáculos entre outras cositas más. Uma noite boa, maravilhosa, ao lado de quem gosto tanto... Meus amigos e ele. Aquele detalhezinho no meio de tanta gente que me viu subir ao palco e abraçar o meu troféu... Aquele menino que estava cansado e quase passando mau... o prêmio maior era a presença dele. Porque a presença dele sim, é um ato de amor.
_ Puf.
Dia chato demais... Uma semana inteira se passou e nada se fez, a não ser ficar morgando nesse computador maldito. Eu preciso estudar... Falta vontade, está muito frio... Frio é bom e meu frio não é mais solitário. Mas hoje a noite é... E ela me transporta acidentalmente para outros infernos <> gélidos de minha vida. Sábado gastos na frente do computador de coração vazio e sem esperança, aquele aperto no peito e as lágrimas prontas para serem choradas. Hoje tem esse gosto, apesar de estar de coração cheio e saber que amanhã vai tudo passar. Os dias ruins da TPM não podem ser evitados nem quando se está apaixonada! ><
_ Mil Horas.
Quero postar meu conto. Talvez o faça por partes. Minha sorte é que ninguém me lê, não tenho compromissos de leitores ávidos por saber seu fim. rs Mil horas é um conto triste, é um conto libertador para sua personagem. Lembro-me de como começou a ser escrito, seu berço... Na espera. Naquela espera no metrô Santa Cruz que nunca acaba. Caderno e lápis em mãos, a dor de meu personagem finalmente tornando-se palpável atráves da palavra. Eu vi tantos rostos enquanto esperava e nenhum me pareceu o dela... Ela sequer tem nome. E eu ainda a faço perder a alma, o folêgo e amor... Terminou de ser escrito em um dia como esse, chato, aborrecido, carente... Na escola, no intervalo enquanto todos conversavam eu me dava por completo para fazê-la seguir seu rumo triste. Talvez eu devesse achar outra alma por aí e dar-lhe uma chance de salvar-se atráves de minhas palavras, já que é um dia inspirado, onde posso respirar essa tristeza de minhas personagens. Mas é tarde ... vou domir. E nascer de novo, disposta e sem TPM para um domingo lindo de inverno.
Até

1.7.05

_ Por favor, falem ALTO e CLARO!

Festival de Teatro do Santo Agostinho ... segundo ano. A primeira vez a gente nunca esquece, mas a segunda é bem melhor? Não sei, o resultado eu só vou saber no domingo, na premiação. Mas aqui eu deixo minhas impressões. Era pra ser a semana mais legal do ano, assim eu pensei naquela segunda de manhã. Mas não foi... Foi uma semana fria de inverno, sem emoção. Sem paixão e brilho. E pisar no palco de novo e mexer nos botões da luz... acho que foi solitário. É o que eu disse pra Aline enquanto estavámos sentadas no ônibus: um buraco. Sim, dentro do meu coração... cadê tudo aquilo que eu vi e senti ano passado, no mesmo dia primeiro? Todo aquele clima? Fragmentou-se numa memória tão doce, tão gloriosa, que jamais deveria ser tocada. Nesse mesmo dia primeiro, enquanto eu carregava um esquilo de isopor pintado por mim, senti que seria a última vez que pisava ali. Que sentiria aquela sensação. E não me enganei. Fica o vazio e o sentimento de um trabalho bem feito, apesar de tudo. Um trabalho, não um ato de amor.

28.6.05

_Preciso de um blog.

Sim, precisava voltar a escrever coisas idiotas na net e publicar. Sabe quando sua cabeça está tão cheia de coisas e pensamentos que você simplesmente precisa escrever? Eu poderia guardá-las pra mim. Escrever e deixá-las perdidas em algum caderno, alguma folha amassada na gaveta ou ainda um arquivo .doc largado no PC. Mas não ... alguém vai ler. Criticar, elogiar comentar ... senão, seria a mesma coisa que deixá-las sufocadas na mente. Elas clamam por serem ouvidas. No caso, lidas.

_ Perdi meu antigo endereço.

Ele era um amontoado de reclamações e considerações inutéis de uma garota, hoje, deixada pra trás. Um visual elaborado, botõezinhos bonitinhos... Tristeza excessiva de alguém que estava sentindo o mundo passá-la para trás. De repente, ela parou de postar. Falta de tempo e de jeito. Jeito de se expressar. Pois estava muito ocupada tentando recuperar o que tinha perdido. E um quase um ano se passou desde seu último post. E ela.... Ela cresceu. E definitivamente, com esse blog novo, o only-dark, ela não procura se aproximar de seu passado, mas se afastar. E escrever é a única forma de se libertar.

Até